(Foto pessoal Linhares ES)
"A poesia é sonho que é meu aliado, que todos os dias me abre uma janela."
(Natália Nuno)
Ela chega, põe a rede,
senta-se no sofá,
vem na cama,
flui na caminhada,
finca raízes, matizes,
não aceita ser trancafiada.
Tem falta de senso,
não pede licença,
inspira-se por tudo,
não pergunta se pode vir,
nem tampouco como chegar,
arruma um cantinho, se estabiliza.
Ela traz tudo na bagagem,
inspiração completa,
versos prontos,
ideias em ebulição,
como um chá em fervura,
com poemas ditados,
sentimentos no coração.
Vem na manhã, ao meio do dia,
nas caminhadas por entre flores,
à tarde, com o canto dos pássaros,
no muro da varanda, na mesinha,
sem escrúpulos, impertinente,
na noite fria, no chazinho quente,
no auge da madrugada insone.
É 'inoportuna' visita
Ela não tem noção,
é "cara de pau",
simplesmente vem, permanece,
não pensa em ir embora,
no mínimo, dá um descanso,
só quando os versos ficam livres,
a poesia se satisfaz com palavras,
emoções, múltiplas sensações.
Nem se contenta com o pouco,
apetite voraz, importuna, molesta,
é companhia constante,
na natureza, na lida, na cozinha,
no fogão, na faxina, na diversão.
Ela é mesmo intrometida,
para sorte nossa, é fiel,
raridade hoje em dia.
Permanece desde a infância,
ralinha com versinhos,
na adolescência é sentimental,
na juventude é nada convencional,
na maturidade é reflexiva,
na velhice é Vida.
Parceira indomável,
se não fossem tu, tua lábia,
ela seria como uma noite fria.
És ilusão, sonho, fantasia,
moves seus dias, com alegria,
por gentileza, rebelde amiga,
podes a despertar, noite e dia.
Dá solavanco se estiver dispersa,
venha até na contramão,
promete seguir tua direção,
carrega tua menina,
não a abandones jamais,
sem ti, não é capaz
de escrever em prosa ou em verso
com sensatez, monotonia no dia.
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Lindo canto à inspiração que te acompanha em cada passo do dia! Ótimo dia, cheiiiiiinho dela! beijos, chica
ResponderExcluirLa poesía siempre abre ventanas...
ResponderExcluirMuy bonito, Roselia.
Un abrazo y feliz día
Olá, minha querida Rosélia, espero que este dia te encontre em serenidade e plena criatividade, e quero te agradecer profundamente por compartilhar este texto tão vivo, tão generoso, tão pleno de liberdade rara; é admirável notar como consegues dar corpo e sopro à poesia, tornando-a palpável e íntima ao mesmo tempo, como uma presença que se instala em cada canto do cotidiano e faz vibrar o ar ao redor, leio teus versos como se seguisse o passo de uma visitante indomável e luminosa, essa poesia que se acomoda em todo lugar, que se senta no sofá, que escorrega pelos quartos, que caminha entre flores e sussurra à mesa da cozinha, que se infiltra no silêncio da noite e no sopro do dia, transformando cada instante em luz e emoção, ela não precisa de permissão nem de limites, finca raízes nos pensamentos, nas sensações, e leva consigo ideias, imagens e palavras como sementes que se semeiam sem fim; chega no frio da noite e na doçura do chá quente, no silêncio profundo e na respiração do dia, carregando em si a fidelidade, a força e a fantasia indomável da Vida, em tua poesia, cada verso torna se companhia, cada imagem se faz brilho, e sente-se a presença de uma amiga fiel, uma confidente que habita desde a infância, atravessa a juventude e a maturidade, e se encarna na eternidade da criação, que este texto luminoso continue a fazer vibrar teu universo, e que teu dia seja doce, alegre e pleno dessa luz calorosa que só a poesia sabe oferecer, como um sopro constante que acaricia o coração e a alma, BSS, Régis.
ResponderExcluirQuerida Roselia,
ResponderExcluirteu texto faz a poesia ganhar pernas, entrar em casa sem bater, sentar no sofá da alma e bagunçar delicadamente os nossos silêncios. Você não escreveu sobre a poesia você a deixou falar através de você.
Essa “visita inoportuna”, tão viva e insistente, me parece exatamente assim: uma amiga rebelde que chega sem avisar, mas nunca vem de mãos vazias. Ela traz sentido, inquietação, ternura e também aquele desassossego bonito que empurra a gente para dentro de si mesmo.
Gostei especialmente dessa ação pelas fases da vida. É como se a poesia crescesse junto com a gente, mudando de roupa, mas nunca de essência. Na infância brinca, na maturidade silencia mais fundo, depois vira sabedoria.
Obrigada por nos lembrar que a poesia não é luxo é necessidade de alma. E que sorte a sua, a nossa, ter essa visitante fiel batendo todos os dias à porta do coração.
Com carinho,
Fernanda