sábado, 6 de dezembro de 2025

Poema Azul

 

(foto pessoal RJ)

A poesia é um cone de sombras coloridas que vão mudando com o tempo e com os autores. 

A aventura humana confunde‑se com a aventura da linguagem, onde se inclui a aventura mágica da linguagem poética.

 O sentido dos poemas depende também de quem os lê, mesmo que o poeta imponha a quem gosta de ler e escrever poesia uma exigente simplicidade e rigor. 

Ruy Belo




É necessário recolhimento,

Paz de espírito.


Interiorização, pacificação,

Marcando, no coração, belo momento.


Preencher o dia de ternura,

Deixando o orvalho invadir a alma.


Fazer do poema um lindo evento,

Revestido do nobre azul celestial.


Poema azul é presente de Deus

A descansar a mente.


Iniciar uma nova inspiração

Com um novo brilho no olhar.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Forma de Amar

 

(foto  pessoal Argentina AR)



"Falar da noite para saberes quem és quando uma indecisa nostalgia insiste em acumular a grafia das sombras que te serpenteiam as margens da vida. 

Se vagueares pelos livros hás de constatar que quase todos os poetas falam da noite, porque escrever também é um ato noturno e, para muitos, um lugar de sobrevivência, de amor, de fuga. 

Ele traçava na parede do quarto o percurso do pássaro noturno. 

Pintava na cal a paisagem por onde se escaparia. 

É isso: quando a realidade não te basta, podes sempre sonhar."


Poetizar faz bem, espairece,

Tem tempo, só a enriquece.


A mente muito se alarga,

A saúde mental agradece,


Dúvidas se dissolvem,

Salve a poesia, rejuvenesce.


Atenua o não favorecido,

Poetar, não ao ócio doído.


Nada de vida inerte,

Poetizar a fortalece.


´É grande dom divino,

Tem acesso genuíno.


Saboreia com alegria,

A poesia sua de cada dia.


Ah! Se todos poetizassem,

Da vida alheia, se esquecessem.


Toda tristeza diminuiriam

Seus corações embriagariam.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Lendo-se

(foto pessoal Gávea RJ)

"A letra P não é a primeira letra da palavra poema.

O poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, poema não se lê poema, lê‑se pão ou flor, lê‑se erva fresca e os teus lábios … lê‑se país e mar e céu esquecido e memória, lê‑se silêncio, sim tantas vezes, poema lê‑se silêncio.  

O poema é o que tu quiseres que seja. 

Pode ser a noite com as frinchas da janela a trazerem o choro do vento, ou o eco das marés, ou o brilho das estrelas."


Relendo sua história,

percebe ser um mistério.


É misto de sentimentos,

brisa leve ou chuva fina.


Serenidade não desatina,

poesia alimenta a alegria.


Poeta seu próprio saltério,

é a tecelã de seus poemas.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Reflexo do Coração


(Foto pessoal Porto RJ)


"A palavra tem um olhar, 

ela pode cair no nosso pensamento como fruto maduro;
pode chegar até nós como uma festa ou renovar-se 
em outras palavras e imagens;
pode cantar como pássaros, voar, produzir instantes de epifania 
ou até mesmo ser um espaço de trânsito 
porta e brecha."


Quem lhe dera, 

Escrever só nas horas alegres,

Onde seu ser repousa 

Com tranquilidade,

Totalmente indefeso.

 
É criatura, chora sim, 

Emociona-se, 

Vê-se no  reflexo do coração 

Contrito, tristonho. 


Embalsama suas emoções,

Tenta se desenrolar,

Escreve, existe, 

Tem amor nela.


Inspira palavras, respira ternura,

Sente-se mais solta, feliz 

No decorrer da condução do texto, 

Seja poético ou não, percebe além.

 
Em tudo, sente poesia,

Tanto faz se for em prosa,

O tempo lhe ensina,

Desliga-se da essência d' alma.


Reluta com a mediocridade,

Esforça-se a ser intensa,
 
Verdadeiramente feliz,

Escreve sim, existe,

Não vegeta.




terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Sair de Si (I)

(foto pessoal Cruzeiro Búzios RJ)

Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflete o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.

(Fernando Pessoa)


Às vezes, sai de si,

entra noutra realidade.

como se estivesse num rio

ou num riacho,

talvez num lago,

nalguma cachoeira,

quiçá numa gruta de paz,

numa caverna insondável

de mistérios coloridos,

como a visão de um arco-íris,

borboletas ao redor,

em belos jardins primaveris,

no aconchego da poesia.


Às vezes, sai de si,

habita outra órbita,

contempla estrelinhas

douradas, cintilantes,

águas dum lago

não geladas,

morninhas, cálidas,

numa quimera de amor,

sem correnteza forte,

como bruma de espuma,

com fiapos de raios solares,

por entre breu da floresta,

encantada, na paz da poesia.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Poesia Fértil


(foto pessoal.Venda Nova do Immigrante ES)


Desaprender para aprender. 

Deletar para escrever em cima.

Basta desaprender o receio de mudar.

(Marta Medeiros)


Um pensamento invade seu coração,

na mais linda, terna emoção,.

só quer saber de poetar,

faz parte do seu amar.


Colhe frutos de perseverança,

vive boa, terna bonança,

colhe o bem plantado,

tudo é bem achado.


Esvoaça seu poema ao vento,

sente a brisa ao relento,

já anoiteceu na labuta,

a vida da poetisa é luta,


Sente calor, paz na alma,

vive no labor, se acalma,

sua poesia é fértil,

não se sente inútil.



domingo, 30 de novembro de 2025

Sair de si (II)

(foto pessoal Petrópolis RJ)

Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.

   (Vinícius de Moraes)


Às vezes, sai de si,

percorre estradas com neve,

pelas montanhas dos Alpes,

sobe trilhas, chega ao cume,

tem visão deslumbrante,

casas com lareiras,

árvores invernais,

folhas secas,

vestígios de caramelo,

lareiras acesas,

chaminés fumegando,

no calor da poesia.


Às vezes, sai de si,

é a chama da fogueira,

o vento, a chuva fina,

o temporal, a torre da igreja,

o tilintar do sino,

do nascente ao poente,

uma ovelha do seu rebanho,

com vontade de se deitar,

dormir um sono da paz,

sem palavra alguma,

no paraíso terrestre,

acordar ternamente,

nos braços da Poesia.



Admiração Poética

  "Somos essa bagunça organizada e paradoxal, só a poesia se arrisca a interpretar." T udo parado, Sol se pondo em brandas cores, ...