Chega a noite, silêncio profundo
no tempo, ao redor, em meu coração.
O abajur dá luz, o calor oriundo
aquece minha alma, é comoção.
Estou na cama, contemplo a cela,
a cadeira me aconchega bem nela.
A penumbra me emociona. Há paz
no estar só, escrever me satisfaz.
Sentimentos vão e vêm, lágrimas
rolam e acalmam. Secam agruras,
fortalecem o espírito. Me apazigua
na noite e, ao cansaço, dá trégua.
Poesia é companhia, tira agonia,
entro em estado de boa sintonia.
Descubro que a luz está em mim,
meu eu é descansado com cetim.
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